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Reformas puxarão vendas de materiais

As vendas das indústrias de materiais de construção serão impulsionadas, em 2014, principalmente, pela demanda dos consumidores de produtos de acabamento para reformas. Neste ano, o volume de entrega de empreendimentos residenciais pelas incorporadoras de capital aberto ainda será elevado, mas a expectativa dos fabricantes de materiais é que a maior expansão das compras ocorra pelo varejo.

A Associação Nacional dos Comerciantes de Material de Construção (Anamaco) já divulgou que espera 7,2% de crescimento nas vendas do varejo neste ano ante 2013. No ano passado, a expansão do varejo de materiais foi de 4,4%, para o recorde de R$ 57,4 bilhões.

“Os fatores que influenciam as decisões de reforma – renda, emprego e crédito – continuarão fortes em 2014″, afirma o presidente da Associação Brasileira da Indústria de Materiais (Abramat), Walter Cover. As reformas serão o carro-chefe para o crescimento das vendas de materiais em 2014. “A Copa deve ajudar as vendas do varejo, pois muitas famílias farão alguma reforma para receber pessoas em casa”, acrescenta Cover.

A fabricante de tintas Ibratin é uma das empresas que aposta que a Copa vai contribuir para elevar a demanda por materiais e fazer com que o varejo seja o principal canal de expansão em 2014. Segundo o gerente de vendas e marketing da Ibratin, Dijan Barros, o volume comercializado de tintas imobiliárias terá alta de 25% e o faturamento, de 15%. No ano passado, houve crescimento de 23% no volume e de 18% no faturamento da Ibratin. As vendas para engenharia e grandes obras foram responsáveis por 60%, o segmento de decoração, arquitetura e design, por 27%, e o varejo, por 13%.

Já a Akzo Nobel, que possui a marca Coral, pretende crescer 3% ou 4% neste ano, por meio de ações promocionais. As vendas para reformas vão puxar o crescimento das vendas de tintas decorativas, de acordo com o presidente da Tintas Coral, Jaap Kuiper. A Akzo Nobel vai fornecer tintas para oito dos 12 estádios da Copa, o que contribuirá para elevar os volumes vendidos e para dar publicidade aos produtos da empresa.

Em 2013, as vendas de tintas decorativas da Akzo Nobel aumentaram 4%. Conforme Kuiper, tem havido pressão de custos por causa da parcela das matérias-primas impactada pela variação cambial.

A Cecrisa, fabricante de revestimentos cerâmicos, projeta manter o patamar de crescimento registrado em 2013, de pouco acima de 20%. A empresa espera que a expansão resulte do aumento da vendas de produtos com as marcas Portinari e Cecrisa para reforma e autoconstrução, segundo seu diretor comercial, Luis Francisco Zolin.

Neste ano, a Cecrisa concluirá investimentos no parque fabril que vão possibilitar mais competitividade em mercados como o Nordeste, conforme Zolin. Das vendas da Cecrisa, 55% são direcionadas para o varejo e de 45% para construtoras. Em 2013, as vendas da marca Cecrisa cresceram pelo aumento da base de clientes e expansão para novas regiões. Já a comercialização da marca Portinari teve alta por meio de volumes mais elevados para os mesmos clientes.

A Portobello, outra grande fabricante de revestimentos cerâmicos, estima que suas vendas para o varejo vão crescer mais, neste ano, do que as destinadas ao canal engenharia. “As reformas puxarão o desempenho do varejo em 2014″, diz o superintendente do canal de vendas para engenharia da Portobello, Marcos Reis. Dois terços da comercialização dos produtos da empresa são direcionados ao varejo, sendo metade para franquias e metade para lojas multimarcas. O outro terço vai para engenharia.

A Cerâmica Lanzi estima crescer de 25% a 30% em 2014, para R$ 180 milhões, ante aumento de 21% no ano passado. Conforme o presidente da empresa, Luis Antônio Lanzi, a expansão projetada baseia-se no aumento da produtividade e na melhoria tecnológica dos produtos, voltados para as classes A e B.

A fabricante francesa de telhas ecológicas Onduline projeta crescer 6% neste ano, conforme o diretor da empresa, Ricardo Bressiani, ainda que haja a preocupação que a venda de materiais concorra com a de outros produtos, como a de aparelhos de televisão para a Copa. “Acreditamos que, apesar do cenário desafiador, será possível crescer”, afirma. Bressiani diz esperar continuidade do crédito para a compra de materiais.

Dados preliminares da Abramat referentes a 2013 apontam que expansão das vendas das indústrias de materiais (base mais acabamento), da ordem de 4% ante os R$ 126 milhões de 2012. “O número foi recorde”, afirma Cover. Em 2014, a indústria crescerá mais do que no ano passado, conforme o presidente da Abramat. A entidade espera expansão da demanda por materiais para obras do mercado imobiliário e de infraestrutura acima da de 2013. O setor continuará a vender mais materiais de acabamento do que de base, mas a diferença tende a diminuir.

Fonte: Valor Econômico

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